Enunciado e resolução em PDF · 64 perguntas resolvidas no Simulador · actualizado em 10/10/2026
Perguntas resolvidas deste exame
As primeiras 10 perguntas, com a resolução. As restantes estão no Simulador.
Pergunta 1
Na periodização da História de Moçambique, é geralmente designado "Da penetração mercantil portuguesa à agressão imperialista" ao período que:
- Situa-se entre o século III e o século XVI
- Estende-se entre o século XVI e 1885
- Situa-se entre 1886 e 1930
- Estende-se entre 1930 e 1974
- Inicia em 1975
Resposta: B. Este período começa no século XVI, quando os portugueses se instalam em Sofala e na Ilha de Moçambique e penetram no vale do Zambeze, e termina em 1885, com a Conferência de Berlim.
Depois de 1885 começa a agressão imperialista e a ocupação efectiva (1886–1930), e antes do século XVI vem o período das primeiras sociedades sedentárias.
Aula em vídeo:
▶ Periodização da História de Moçambique — Carlos Djive
Pergunta 2
Em Moçambique, os portugueses estabeleceram contactos com as zonas costeiras e, mais tarde, avançaram para o interior. Em que século os portugueses criaram as primeiras feitorias no interior de Moçambique?
- XV
- XVI
- XVII
- XVIII
- XIX
Resposta: B. Depois de Sofala (1505) e da Ilha de Moçambique (1507), os portugueses subiram o Zambeze e fundaram as feitorias de Sena e Tete por volta de 1530–1531, para chegar ao ouro do Muenemutapa. Isso foi no século XVI.
No século XV os portugueses apenas passaram pela costa, com Vasco da Gama em 1498.
Aula em vídeo:
▶ Penetração mercantil portuguesa — APRO MÁRIO BASHAR
Pergunta 3
Substituindo a "comunidade primitiva" e o predomínio da caça e recolecção vários grupos populacionais foram chegando à Moçambique desde cerca de 1700. Este processo de expansão ficou conhecido por:
- Expansão árabe
- Mfecane
- Expansão Bantu
- Expansão Swahili
- Expansão europeia
Resposta: C. Foram os povos bantu que, a partir dos primeiros séculos da nossa era (há cerca de 1700 anos), chegaram a Moçambique com a agricultura, a pastorícia e o ferro, substituindo as comunidades de caçadores-recolectores (khoisan).
Os árabes, os swahili e os europeus vieram como mercadores, e o Mfecane é do século XIX.
Aula em vídeo:
▶ Os povos bantu em Moçambique — Carlos Djive
Pergunta 4
As comunidades rurais Karanga – Chona tinham na agricultura a sua principal actividade económica entre os séculos XV e XIX. O principal instrumento de trabalho era:
- A charrua de ferro, de origem árabe
- O tractor de quatro rodas
- A charrua de madeira, fabricada localmente
- A enxada de cabo curto
- A pá de aço importada do Brasil
Resposta: D. Nas comunidades karanga-chona a agricultura era feita à mão, com a enxada de cabo curto de ferro fabricada localmente, e o trabalho era sobretudo das mulheres.
A charrua (arado) e o tractor só chegaram com o colonialismo, no século XX.
Aula em vídeo:
▶ Os povos bantu em Moçambique — Carlos Djive
Pergunta 5
Após a expansão e fixação Bantu, desenvolveram-se as primeiras sociedades moçambicanas. A base económica das primeiras sociedades era a agricultura e plantavam principalmente cereais como:
- Mapira e mexoeira
- Milho e arroz
- Trigo e Aveia
- Cevada e arroz
- Sorgo e milho
Resposta: A. As primeiras comunidades bantu cultivavam cereais africanos resistentes à seca: a mapira (sorgo) e a mexoeira (milheto).
O milho e a mandioca vieram da América, trazidos pelos portugueses só a partir do século XVI, e o trigo, a aveia e a cevada são cereais de clima temperado.
Aula em vídeo:
▶ Os povos bantu em Moçambique — Carlos Djive
Pergunta 6
No âmbito da penetração mercantil estrangeira, o Muenemutapa que cedeu as minas do seu Estado aos portugueses em 1607 foi:
- Gatsi Lucere
- Capranzina
- Dombo Dombo
- Nhantsimba Mutota
- Matuzianhe
Resposta: A. Em 1607 o Muenemutapa Gatsi Rusere (Gatsi Lucere), em troca de ajuda militar portuguesa contra os seus rivais, como Matuzianhe, assinou a cedência das minas do seu Estado.
Mutota foi o fundador do Estado, e Capranzina e Mavura vieram depois, já com o Estado mais submetido aos portugueses.
Aula em vídeo:
▶ O Estado dos Mwenemutapa — Carlos Djive
Pergunta 7
No Estado de Muenemutapa as mulheres do rei desempenhavam funções consideráveis algumas delas ligadas às transacções comerciais, neste contexto, a segunda mulher do soberano era intermediária entre Muenemutapa e:
- Os mercadores Ajauas
- Os mercadores portugueses
- Os mercadores persas
- Os mercadores baneanes
- Os mercadores árabes
Resposta: B. No Muenemutapa as esposas do rei tinham cargos na corte. Uma delas, a Mazarira, era chamada "mãe dos portugueses" e tratava das relações com os mercadores portugueses, os principais estrangeiros na corte nos séculos XVI e XVII.
Os ajauas comerciavam mais a norte, e os persas e os baneanes não tinham presença na corte do Mutapa.
Aula em vídeo:
▶ O Estado dos Mwenemutapa — Carlos Djive
Pergunta 8
Faziam parte das importações dos estados Yao (Ajaua), no século XIX, os seguintes produtos:
- Tabaco, marfim e oleaginosas
- Açúcar, sabão e café
- Algodão, copra e castanha de caju
- Tecidos, pólvora e armas de fogo
- Ouro e diamantes
Resposta: D. Os Yao levavam marfim e escravos para a costa (Quíloa, Ilha de Moçambique) e traziam tecidos, missangas, pólvora e armas de fogo. As armas reforçavam o seu poder militar e permitiam capturar mais escravos.
O marfim era exportação, não importação.
Aula em vídeo:
▶ A escravatura em Moçambique — AFRO CURIOSO
Pergunta 9
Os seguintes Estados constituem exemplos de Estados militares do Vale de Zambeze:
- Quiteve e Sedanda
- Tembe e Nwamba
- Mtalika e Mataka
- Macanga e Zumbo
- Undi e Lundu
Resposta: D. Os Estados militares do vale do Zambeze nasceram dos prazos no século XIX: Massangano, Macanga, Massingire, Gorongosa e Zumbo.
Quiteve e Sedanda eram Estados chona, Tembe era do sul, Mtalika e Mataka eram chefes yao, e Undi e Lundu eram chefados marave.
Aula em vídeo:
▶ Prazos e Estados militares do Zambeze — Carlos Djive
Pergunta 10
O Mfecane foi uma causa crucial da formação de estados nguni do século XIX, incluindo o Estado de Gaza. A organização de grande parte dos exércitos nguni baseava-se numa instituição chamada Butho. As promoções nesta instituição dependiam:
- Da zona de origem dos jovens
- Das capacidades guerreiras de cada jovem
- Do prestígio ou estatuto social da família de cada jovem
- Do número de esposas de cada jovem
- Da idade ou tempo de permanência no exército de cada jovem
Resposta: B. Os jovens entravam nos regimentos (butho) por classes de idade, mas subiam de posto pelo mérito em combate, pelas suas capacidades guerreiras. Isso permitia integrar jovens dos povos conquistados, que ganhavam lugar pelo valor e não pela família ou pela origem.
Aula em vídeo:
▶ Do Mfecane ao Estado de Gaza — Carlos Djive
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