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Exame de Português da 12ª Classe 2021

Enunciado e resolução em PDF · 38 perguntas resolvidas no Simulador · actualizado em 23/05/2024

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Perguntas resolvidas deste exame

As primeiras 10 perguntas, com a resolução. As restantes estão no Simulador.

Pergunta 1

Lê o texto e responde.
Texto: "Niketche" (Paulina Chiziane)
Vou visitar a tia Maria, e ela conta-me histórias da poligamia. Casada pela primeira vez aos 10 anos, o casamento foi encomendado antes do seu nascimento. O pai tinha uma dívida, não conseguia pagar impostos e disse ao cobrador de impostos: a minha mulher está grávida, se nascer uma menina, entregá-la-ei como pagamento. E assim foi. Aos 10 anos, tornou-se a vigésima quinta esposa de um rei. Teve um príncipe no ventre. Foi amada loucamente por um guarda real de quem teve dois filhos. Como se isso fosse pouco, tem agora dois maridos, ambos vivendo no mesmo tecto.
– Como conseguiu viver num lar com vinte e cinco esposas, tia Maria?
A velha oferece-me um olhar de infinita ternura.
– Filha minha, a vida é uma eterna partilha. Partilhamos o ar, o sol, partilhamos a chuva e o vento. Partilhamos a enxada, a foice, a semente. Partilhamos a paz e o cachimbo. Partilhar um homem não é crime. Vezes há em que partilhar a mulher é necessário, quando o marido é estéril e precisa colher o sémen de um irmão.
– Foi feliz, tia Maria?
– Era ainda espiga, os meus olhos ainda reflectiam sol e lua. Não conhecia ainda o significado da amargura. Éramos um grande rebanho de mulheres aguardando cobertura. Soltávamos crias que voavam sobre ervas como pirilampos, estrelas desprendidas iluminando a savana escura. Conheci o rei de facto quando tinha uns treze anos.
– Rainha dentro de um harém, tia Maria? – Pergunto arrepiada, imaginando os haréns das mil e uma noites, com restrições, eunucos e essas coisas.
– No nosso mundo não havia haréns – explica-me ela. – Eram famílias verdadeiras onde havia democracia social. Cada mulher tinha a sua casa, seus filhos e suas propriedades. Tínhamos o nosso órgão, assembleia das esposas, onde discutíamos a divisão do trabalho, decidíamos quem iria cozinhar as papas matinais do soberano, quem ia preparar os banhos e esfregar os pés, cortar as unhas, massajar a coluna, aparar a barba, pentear o cabelo e outros cuidados. Participávamos na feitura da escala matrimonial de sua majestade, que consistia numa noite para cada uma, mas tudo igual, igualzinho. E eu cumpria à risca. Ele tinha que dar um exemplo de Estado, um bom modelo de família.
Se o rei cometesse a imprudência de dar primazia a uma mulher em especial, tinha que suportar as reuniões de crítica dos conselheiros e anciãos. A mim, o rei tinha-me quantas vezes queria, mas no meu caso ninguém tocava. O meu estatuto nem era questionado. As mulheres todas se rendiam ao meu encanto. Fui uma grande dama, sabes.
– Noto muito orgulho e muita vaidade no tom da sua voz. Não consigo perceber a razão daquela felicidade, num lar com mais de vinte esposas, sem direitos, nem liberdade nenhuma.
"Vou visitar a tia Maria, e ela conta-me histórias da poligamia." Por que a tia Maria entrou num casamento poligâmico?

  1. Ela escolheu casar com o rei
  2. Eram costumes daquela sociedade
  3. Os pais usaram-na como agradecimento ao rei
  4. Os pais tinham uma dívida de imposto
Resposta: D. O texto conta que "o pai tinha uma dívida, não conseguia pagar impostos" e prometeu a filha que nascesse como pagamento. Foi assim que, aos 10 anos, ela se tornou a 25.ª esposa do rei.
Não foi escolha dela nem agradecimento: foi pagamento de uma dívida.
Aula em vídeo: ▶ Niketche: uma história de poligamia — Brasil Escola Oficial

Pergunta 2

Com base no texto da pergunta 1, de acordo com o texto, poligamia é um casamento…

  1. em que a mulher convive com dois maridos.
  2. encomendado pelos pais da menina.
  3. que envolve apenas três pessoas.
  4. que envolve um homem com mais de uma mulher.
Resposta: D. No texto, a poligamia é o lar de um homem (o rei) com muitas esposas: "um lar com vinte e cinco esposas".
O casamento encomendado foi só o caso da tia Maria; a mulher com dois maridos é poliandria.
Aula em vídeo: ▶ Niketche: uma história de poligamia — Brasil Escola Oficial

Pergunta 3

Com base no texto da pergunta 1, segundo o texto, a poligamia era concebida como…

  1. partilha de tudo e de todos.
  2. partilha dos bens da família.
  3. poder de força física dos homens.
  4. poder económico e político dos homens.
Resposta: A. A tia Maria explica que "a vida é uma eterna partilha": partilha-se o ar, o sol, a enxada, a paz, e também o homem e, por vezes, a mulher. É a partilha de tudo e de todos.
Aula em vídeo: ▶ Niketche: uma história de poligamia — Brasil Escola Oficial

Pergunta 4

Com base no texto da pergunta 1: "Foi amada loucamente…" A tia Maria foi amada loucamente…

  1. pelas outras mulheres.
  2. pelo seu marido.
  3. por um rei.
  4. por um guarda real.
Resposta: D. A frase completa é "Foi amada loucamente por um guarda real de quem teve dois filhos."
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Pergunta 5

Quanto ao processo de formação de palavras, como se classifica o vocábulo "loucamente" da frase da pergunta 4?

  1. Composta por aglutinação
  2. Composta por justaposição
  3. Derivada por parassíntese
  4. Derivada por sufixação
Resposta: D. "Loucamente" forma-se do adjectivo "louca" com o sufixo "-mente", que dá advérbios: é uma palavra derivada por sufixação.
Não há dois radicais (não é composta) nem prefixo e sufixo juntos (não é parassíntese).
Aula em vídeo: ▶ Formação de palavras — Moz Student

Pergunta 6

Com base no texto da pergunta 1: "(…) tem agora dois maridos, ambos vivendo no mesmo tecto." Quantos filhos a tia Maria teve com o segundo marido?

  1. Um
  2. Dois
  3. Dez
  4. Vinte
Resposta: B. O segundo homem da vida dela é o guarda real, "de quem teve dois filhos". Do rei teve um príncipe.
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Pergunta 7

Que nome se dá a uma mulher com dois maridos?

  1. Concubina
  2. Polígama
  3. Poliandra
  4. Vedeta
Resposta: C. A poliandria é a união de uma mulher com vários maridos; a mulher nessa situação é poliandra.
A poligamia (no sentido do texto) é a de um homem com várias mulheres; concubina é a mulher que vive com um homem sem casamento.
Aula em vídeo: ▶ Niketche: uma história de poligamia — Brasil Escola Oficial

Pergunta 8

Com base no texto da pergunta 1, com que idade a tia Maria conheceu, de facto, o rei?

  1. Dez anos
  2. Treze anos
  3. Quinze anos
  4. Vinte anos
Resposta: B. Ela diz: "Conheci o rei de facto quando tinha uns treze anos." Aos 10 anos foi entregue como esposa.
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Pergunta 9

Com base no texto da pergunta 1: "Rainha, dentro de um harém, tia Maria?" Qual foi a explicação dada pela tia Maria?

  1. Havia harém, éramos famílias verdadeiras vivendo plena democracia
  2. Havia harém, porque não éramos famílias verdadeiras, cada uma por si
  3. Não havia harém, as famílias não eram verdadeiras, cada uma por si
  4. Não havia harém, éramos famílias verdadeiras vivendo plena democracia
Resposta: D. A resposta dela foi: "No nosso mundo não havia haréns… Eram famílias verdadeiras onde havia democracia social."
Aula em vídeo: ▶ Niketche: uma história de poligamia — Brasil Escola Oficial

Pergunta 10

Qual é a função sintáctica da expressão "tia Maria" na frase da pergunta 9?

  1. Atributo
  2. Predicado
  3. Sujeito
  4. Vocativo
Resposta: D. "Tia Maria" é a pessoa a quem a narradora se dirige, separada por vírgula: é um vocativo.
Não pratica nenhuma acção da frase, por isso não é sujeito.
Aula em vídeo: ▶ Vocativo — Professora Pamba

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